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domingo, 31 de julho de 2011

Adriana Calcanhotto em Recife (30/07/2011)

Depois de ver hoje Adriana Calcanhotto, pela primeira vez ao vivo, relembrei de um príncipio antigo que aprendi em algum momento de minha vida: nem sempre o mais é melhor. Na verdade o que quero dizer é que a verdadeira elegância muitas vezes é encontrada na simplicidade e não no exagero. Assim foi a apresentação desta noite: simples e extremamente elegante. Adriana acompanhada de Davi Moraes ao violão, presentou um Teatro Guararapes lotado com os "gostosinhos micróbios" de seu novo albúm como também com as pérolas de sua carreira como Esquadros, Metade e Mais Feliz. Delicada tanto em seus trejeitos como em sua voz, e vestida com um belo vestido longo de tafetá rosa-choque, Adriana Calcanhotto não tenta estender sua voz mais do que seu alcance vocal, mas a permite fluir naturalmente, dando a impressão de que cantar é algo tão simples como se ficar em pé. A combinação crua de voz e violão conferiu mesmo em um grande e lotado teatro um tom intismita permitindo-nos sentir o aconchego do palco e pelo menos ao meu ver a timidez e cordialidade da moça sentada com o microfone na mão. Se suas músicas parecem cada vez mais belas com o passar do tempo, o mesmo dizer de sua autora que continua com o mesmo semblante sereno no rosto ornando sua beleza doce e peculiar. Confesso que a cada música arrepiava-me e sentia a vontade de lhe dizer o quão grato sou pelo seu trabalho. Simples e criativa, (fez arranjo com folhas de papel) cantora/poetisa (declamou Dia da criação de Vinícius de Moraes) Adriana Calcanhotto é uma das nossas últimas artistas que sabe preservar sua integridade artística, prezando pela qualidade do seu trabalho, e sendo sempre para mim a porta-voz de uma tímida elegância capaz de atingir os de coração mais aberto.














quinta-feira, 14 de julho de 2011

Crise

Sento na calçada. Não escolhi um lugar especial, não vejo nobreza alguma neste canto da rua. Ao mesmo tempo em que os transuentes passam apressados, uma simbiose parece acontecer sem niguém notar: como um lova-deus se camufla em meio as folhas para não ser percebido por predadores me imbrico nos muros frios e acizentados da suja rua. Cimento e tristeza agora fazem parte da mesma liga. Metade da tarde e sentado, fito a não longíqua banca de revistas com seus ostentosos jornais que lhe circundam a cintura como um cinto cheio de furos. Notícias de mais uma crise, uma dentre várias tantas. Tento disfarçar que não estou assutado mas é inútil. A sobrancelha cinzida me denuncia. Olho o antigo cineminha com seu velho letreiro decadente e tento me reconforta em vão. Tudo que conheço parece desaparecer ou ser falso: os amigos, as instituições,as esperanças. Percebo que os jornais enfilerados perfeitamente nos expositores não param de me encaram. Esforçam-se em não me fazer esquecer que estamos à beira de uma crise. O velho cineminha diante da insistência dos jornais em fila indiana se retrai mais ainda ao rememorar o duro ano de vinte e nove, ano no qual em pleno vigor viu muitos se encolherem diante da tela numa tentativa de fugir da realidade caótica e também alguns pularem do velho edíficio a sua frente. Divago sobre a minha recém conquistada estabilidade prestes a desaparecer. Um velho senhor em ato de valentia que invejo pega um desses jornais e se dispõe a ler e uma vontade de aproximar-me dele começa a dominar. Animo-me levemente diante da possibilidade estar enganado e sinto meus músculos se retorcerem. Leve engano, já que renunciei a qualquer perspectiva de triunfo. Conformação e entediamento, o mundo preste a desmoronar e eu já entregue ao caos da renúncia. O cheiro de quebra está cada vez mais intríseco a cada destas lojas e fazem cada uma de suas vitrines perderem a graça. A igreja do outro lado não move mais fiéis nem gera mais conforto. Na calçada sou confundido com mais um, não sei se um pedinte ou um marginal. Meu cheiro agora também é o do fracasso. Coragem no fim e genocídio de minha capacidade argumentativa. A crise paira no ar e me pressiona contra o muro cheio de cartazer atras de mim. Os jornais agoram começam a voar devido a forte ventania que começou. A poeira afete meus olhos e me fazem lacrimejar, relembrando uma capacidade perdida a um tempo. Sentado em uma calçada, continuo coagido no pânico que me aflige as incerteza dos dias terríveis que virão

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Quando uma cidade não te cabe mais...

Vários km². Não saberia dizer a medida exata mas aos meus aparentes olhos cansados devem ser muitos e mesmo assim não pareço mais caber aqui. As cidades se globalizam, se integram formando metrópoles, megalópoles extrapolando seus limites. Meus limites são também extrapolados. Me desloco por suas ruas. me vejo no reflexo das portas espelhadas dos altos edifícios, me oriento por placas confusas e mesmo assim me sinto perdido. Deparo-me com milhões quem caminham por suas avenidas, por vezes lutando por direitos, por vezes destruindo. Não encontro meu bando. Não me situo diante das vitrines com seus tentadores chamados. Não sou imigrante, não sou saudosista, sou daqui e ainda sim não me sinto pertecente a este lugar mas a vida insiste em correr. Não correspondo as expectativas. Não atendo aos padrões. Me classificam e me desclassificam. Vejo tudo pela janela do alto apartamento mas não sinto nada. Não me interreso por seus programas ou monumentos. As vezes me enojo de seus hábitos. Percorro lentamente cada linha traçada pelo meu tédio, talvez por não ter coragem de pisar mais em suas ruas. Divago e concluo que não é culpa desde recorte geográfico. Lido com possibilidades e só me resta o tranplante de medúla para tentar curar-me deste câncer que abate toda a minha geração. Possibilidades e depois percusso. Indo e vindo lentamente. Receitas médicas na bolsa. Solidão em todas as partes do corpo. Inferninhos para passar o tempo e enganar o vazio. Amores em baixa. Chão de concreto, agústia dilacreando o peito. Parte que me cabe neste latifúndio. Cruzamentos e acidentes. Superficialidade dosam relacionamentos. Amigos em falta. Fim de semana e casa vazia. TV a cabo e comida chinesa. Vazio e vazio. Topo, capital do mundo. Segunda-feira.

domingo, 3 de abril de 2011

Adriana Calcanhoto - O micróbio do samba (2011) DOWNLOAD



Minutos de anisedade antecede mais um download. Não é um download qualquer e sim o que vai me permitir aouvir o novo cd daquela que acho ser indiscutivelmente uma das melhores cantores do cenário musical brasileiro: Adriana Calcanhoto. Despois de dois cds voltados para o público infantil esta gaúcha de alma carioca volta com O micróbio do samba. Ainda não posso dizer se o cd é bom (pois o download ainda não terminou) mas duvido não ter uma belíssima audição assim que a primeira faixa começar a tocar.

01. Eu vivo a sorrir
02. Aquele plano para me esquecer
03. Pode se remoer
04. Mais perfumado
05. Beijo sem
06. Já reparô?
07. Vai saber?
08. Vem ver
09. Tão chic
10. Deixa, gueixa
11. Você disse não lembrar
12. Tá na minha hora

domingo, 23 de janeiro de 2011

Deusa querida e distante - Carta de Caio Fernando Abreu A Adriana Calcanhoto



 Acordei esse domingo fuçando uma biblioteca digital e me deparei com o Caio 3D - O essencial da década de 1990. Entre algumas crônicas e crônicas há uma série de cartas enviadas por Abreu a diferentes pessoas. Um dos seus destinatários foi Adriana Calcanhoto.


A ADRIANA CALCANHOTTO
Saint‐Nazaire, 16.12.92

Deusa querida e distante,

cadernos são iguais em tout le monde. Ele faz uma confusão entre aquela impossível não pensar em você bebendo literalmente litros de água Perrier todo o dia — o aquecimento seca horrores a pele! —, mas não só por isso. Também procuro as cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo (vi uma autêntica na Fnac, em Paris!), que aqui, neste porto de mar na Bretagne, entre Nantes e Brest, a cidade de Querelle, são bastante raras. São mais cores de Agnés Varda, cores de Gustave Klimt. Tua fita1 - da qual não me separo há meses — faz sucesso por aqui. Mal posso ouvi-la. Alain Keruzoré, meu tradutor, passou para Bernard Soubourou, que sabe tudo sobre — imagina — Tânia Alves, que passou para Marie Pierre. Hoje saio na batalha, não quero ficar sem ela. Te mando dois recortes, um deles fala em você. Mas ai, os -modernos-e-seus segundos- Penélope que você musicou e um conto que Claire Cayron traduziu. Bom, não importa. Anyway, você está presente no texto — uma pequena novela — que escrevo no momento para deixar aqui, será publicada pela Arcane 17.
Fico até 31.12 neste apartamento enorme, debruçado no porto de mar, com uma vista de 360 graus e uma paisagem que, estranhamente, lembra Porto Alegre, Manhattan, Florianópolis e a ponte Rio-Niterói (com Saint-Brévin les Pins do outro lado da baía). Depois vou a Amsterdam, Kóln e Frankfurt, para leituras, tradutores, agentes. Acho que volto em fevereiro — mas não sei ao certo, houve um problema com meu ap. em SP na minha ausência e, anyway, tenho que estar na Alemanha outra vez em junho. Tenho pensado que só agora compreendo o sentido exato da expressão "minha pátria é minha língua". Passei o domingo, ontem, comendo ostras, bebendo vinho branco e ouvindo Jane Birkin cantando as canções de Serge Gainsbourg. Você ia adorar Norma Jean Baker. Vou levar a fita. Fiz amizade forte com a filha de Christian, o diretor da Maison — chama-se Marina, tem 9 anos, é Virgo ase. Capricórnio e tem absolutamente tudo de Van Gogh. É quem tem me dado as melhores aulas de francês. Andei muito cadela no Brasil. Milhares de problemas, nada grave. Seu disco — deixei um recado na sua gravadora — me ajudou muito. Tem ajudado, é sincero & comovido o que te digo. Sábado tem show de Marina em Paris. Pensei em ir, mas fiii recrutado para participar de uns debates com os escritores do Báltico — Lituânia, Estônia, Letônia, imagina — seria feio faltar. Outro dia acordei com vontade de ouvir Elis e encontrei um cassete no Centro — tem Folhas secas.


Te mando uma folha de outono. E todo carinho, e toda a energia para você continuar seu trabalho.


Je t'embrasse, love
love
love
Caio F.

PS — Às 13h vejo Isaura na TV: Lucélia falando em francês é hilário! Logo depois tem Dona Beija — mas aí é demais para minha beleza.
PS 2 — Torci tanto por Benedita da Silva. Sábado, no Liberation saiu um perfil dela chamando-a de "La madona des favelas". Desta distância, lanço meu olhar sobre o Brasil e entendo ainda menos...
PS 3 — Estou cantando Anne Dusquenois, que produz Marina, para trazer você.
PS 4 — Brigitte Bardot tentou o suicídio com barbitúricos, ontem!
PS 5 — Comentário na TV sobre Lady Di: "Bem, se os ingleses não querem saber dela, nós, franceses, podemos dar um jeito..."



Publicada em ABREU, Caio Fernando. Caio 3D: O essencial da década de 90. Rio de Janeiro: Agir, 2005.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Adriana Calcanhoto - PÚBLICO DVD (DOWNLOAD)



E ainda numa vibe MPB outro showzinho bem gostoso de se ver e ouvir: Calcanhoto e seu violão. A moça não somente é um poço de talento mas também de simpatia. Vale muito a pena

DOWNLOAD RAPIDSHARE PARTE 1

DOWNLOAD RAPIDSHARE PARTE 2


01. E O Mundo Nao Se Acabou

02. Mais Feliz
03. Maresia
04. Uns Versos
05. Metade
06. Devolva-Me
07. Clandestino
08. Una Mujer
09. Traduzir-Se
10. Remix Seculo XX
11. Inverno
12. Esquadros
13. Vamos Comer Caetano
14. Medo De Amar No. 3
15. Vambora
16. Ela E Carioca
17. Mentiras

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